domingo, 18 de janeiro de 2009

Pai Obama

Essa tendência de depositar nas pessoas - e não nas instituições - todas as esperanças, ao contrário do que qualquer brasileiro ou muitos possam pensar, não é brasileira, mas mundial. A posse de Obama na próxima terça-feira 20 de janeiro é esperada pelo povo como a chegada de um "painho" ao poder. 

Querer creditar no poder de uma só pessoa todo o sucesso ou o fracasso de uma administração é desconhecer os meandros do poder. Mesmo no caso de George Bush, o tão propalado e estrondoso fracasso do seu governo, não é obra de uma pessoa só, a administração Bush é maior do que ele próprio. Para personalizar esse fracasso seria necessário que todas as decisões do seu governo fossem pessoais e sem estarem sujeitas a intervenção de conselheiros, a validação dos membros do seu partido.

Não é o caso, todos sabem que além das forças legais e legítimas que influenciam um governo, há o poder econômico, o poder da opinião pública e da mídia que se manifesta através dessa opinião. Há até as chamadas consciências pardas, gente que possui um poder não bem esclarecido, mas que são capazes de influenciar as decisões do líder de qualquer governo.

Por isso é que é infantil querer acreditar que Barack Obama - e somente ele - pode ser capaz de corrigir e acertar tudo o que há para ser corrigido e acertado. Além do mais, há que se reconhecer a existência do possível e do impossível e, cuja diferença, como nos ensina o dito popular, constitui a sabedoria.

Eu gostaria que Obama acertasse, para bem dos norte-americanos e para o bem do mundo. Não há como negar a liderança e a importância dos EUA no cenário mundial. Torcer pelo seu fracasso, mais do que um posição ideológia, é tão desinteligente quanto torcer para que o barco em que todos estamos embarcados afunde.

Boa sorte Obama!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um passado não passado

McCain tem mais cara de presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Contudo, carrega consigo o peso de uma administração desastrada, o governo Bush - do qual tentou inultimente se desligar durante a campanha eleitoral. McCain tentou fazer uma campanha de oposição a situação, sendo parte dessa situação, processo muito complicado e praticamente de impossível execução.

Obama carrega, ainda, a vantagem que essa crise financeira emprestou às eleições, tornando a necessidade de uma mudança de rumos vital para a sociedade americana. Vantagem em termos, pois essa vantagem foi concedida pelo próprio partido situacionista, já que a crise tem uma autêntica cara republicana.

Obama definitivamente não tem o perfil que a sociedade norte-americana deseja, muito longe disso, mas o grau de rejeição ao governo Bush é tão grande que consegue superar qualquer argumento, não há raciocínio lógico que possa entender a desastrada e condenada administração de George Bush.

O lado escondido

Assisti a um programa sobre as atuais dificuldades enfrentadas pela economia nos Estados Unidos. Vou confessar uma coisa: essa crise na economia americana dá para assustar qualquer um. Você encontra casas, ruas, bairros inteiros abandonados em cidades como a outrora progressista Detroit. O cenário de desolação é assustador: ruas e terrenos com o mato crescendo sem controle, sintoma seguro do estado de abandono.


O desemprego grassa, na citada cidade de Detroit onde esse número passa dos 300 mil. As ruas estão lotadas com "homeless", com desempregados, com pedintes. Esse é o lado obscuro, o lado escondido do paraíso capitalista, onde a globalização, com a transferência das fábricas para mercados com menor valor de mão-de-obra, deixou esse cenário dramático.


As eleições que se processam hoje nos Estados Unidos representam uma opção, ou apostando na continuidade do fracasso republicano na administração econômica do estado, ou apostando no lado democrata, reconhecidamente melhor administrador da coisa pública. Atingidos na sua parte mais sensível, o bolso, os eleitores parecem já ter escolhido o seu lado.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Discurso Sexista

A entrevistadora questiona a feminista: a atitude de uma mulher votar em outra pelo simples fato de ser mulher não é uma atitude sexista? A resposta, depois de uma grande enrolada que leva do nada ao lugar nenhum, é não. Faltou condições para responder de uma forma mais inteligente.

Dentro daquilo que se convencionou modernamente chamar de discriminação positiva, entre dois candidatos competentes, escolher pelo sexo não pode ser considerado sexismo, mas, como o já dito, discriminação positiva - aquela que visa optar por um lado para recuperar uma situação de anterior discriminação.

Escolher uma mulher por ser mulher é mais do que sexismo, é burrice.